segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Insulina e ADH: hormônios de recuperação

O corpo humano é extremamente inteligente. Ao menor sinal de exagero - ou falta, ele reage (da melhor, ou da pior maneira). Afinal, vai depender muito do abalo que a homeostase sofra. Por sua vez, a homeostase, pode ser definida como a habilidade de manter o meio interno em um equilíbrio quase constante, independentemente das alterações que ocorram no ambiente externo. O dito meio interno é definido como os fluidos que circulam pelas nossas células, o chamado líquido intersticial (SANTOS, 2018).

Dito posto, vamos falar sobre hormônios de recuperação. De acordo com Santos, 2018, hormônios são tradicionalmente definidos como substâncias produzidas por glândulas endócrinas que são liberadas na corrente sanguínea e atuam sobre tecidos-alvos. Ligam-se a receptores específicos. São responsáveis pelas mais variadas funções, atuando desde o crescimento de uma pessoa até a regulação da sua capacidade reprodutiva, seu comportamento e seu metabolismo. Portanto, os hormônios estão ligados a respostas fisiológicas, morfológicas e bioquímicas.

Pense em como você se sente logo após o término de um treino. Provavelmente três coisas veem à mente: sede, fome e dor. Pode até parecer loucura, mas faz total sentido. Afinal, você acabou de gastar todo o açúcar que até então, antes do início da sessão, estava presente em seus músculos e fígado; Você transpirou toda a água do seu sangue, e levou muitas células musculares a apoptose (morte não desencadeada por traumas, mas sim por ser programada) após aquela série árdua.

Reabastecendo. Depois de uma refeição, o açúcar entra no sangue e por lá permanece armazenado. Por sua vez, o hormônio insulina se responsabiliza por permitir aos músculos retirarem todo este açúcar que na corrente sanguínea se encontra. A razão para essa complexidade é que o cérebro (que não precisa de permissão) recebe primeiro este açúcar. Isso vai ser um grande problema, porém quando for falado de nutrição (quer saber o motivo? Clique aqui).

A insulina também tem efeitos anabólicos (sim, pense em esteroides anabolizantes) como a testosterona e o hormônio do crescimento (GH). Esses três hormônios fazem parte do processo de reconstrução que repara o dano causado aos músculos.

E, finalmente, há o ADH ou Vasopressina, que é o hormônio antidiurético. Este é responsável pelo aumento do volume sanguíneo em cerca de 400ml (10%) na primeira semana de treinamento. Isso permite que o coração transfira (bombeie; direcione) mais facilmente o sangue para mais músculos durante o treino. Esta é também uma razão pela qual os atletas têm uma frequência cardíaca de repouso menor que os demais. E, se caso treinar em uma piscina cujo a temperatura está alta, este efeito é aditivo, pois o coração terá que enviar sangue para a pele também, além dos músculos.

Portanto, a Insulina e o ADH são hormônios que auxiliam e aceleram o processo de recuperação muscular após esforços extenuantes.


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Referências

SANTOS, Vanessa Sardinha dos. "Homeostase"; Brasil Escola. Disponível em https://brasilescola.uol.com.br/biologia/homeostase.htm

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Arquimedes e a Natação


Há quatro principais vetores de força atuantes no corpo humano quando este está em solo (terra; superfície rígida):

  • Força Peso: força de atração gravitacional entre duas massas.
  • Força normal: força de reação a superfície.
  • Força de tração: se houver tração por fios ou cordas.
  • Força de atrito: força proporcional ao movimento do corpo.

Difícil entender?! Então, vamos por partes. Primeiro: o que é vetor?! Há alguns significados para esta palavra. No entanto, vamos nos ater a este: segmento de reta orientado, que possui mesma intensidade, mesma direção e mesmo sentido.

Pois bem, diferentemente da terra, na água há diversas forças atuantes quando um corpo está banhado por ela (a água, obviamente), e, consequentemente, vetores os quais determinam a intensidade, direção e sentido destas forças.

Para compreender melhor este processo, uma postagem não é o suficiente; Mas sim, muita leitura, muitas outras postagens e, claro, uma formação acadêmica em física. A minha, todavia, é em Jornalismo e Licenciatura Plena em Educação Física. Portanto, deem um desconto ao escriba. Retomamos.

Vamos nos ater, tão e somente, ao Teorema de Arquimedes e ao Empuxo. Disse o matemático e físico grego: “Um fluido em equilíbrio age sobre um corpo nele imerso (parcial ou totalmente), com uma força vertical orientada de baixo para cima, denominada empuxo, aplicada no centro de gravidade do volume de fluido deslocado, cuja intensidade é igual ao peso do volume de fluido deslocado”.

Continua complicado, certo?! Então observem a foto a seguir:


Imagine que nosso corpo, em posição horizontal - ao nadar, se assemelha a um barco. Desde a posição da cabeça, até a ponta dos dedos dos pés, o objetivo na água é se deslocar mais rápido em meio à resistência do fluído. E uma destas forças principais que devemos nos ater, no meio aquático, é o "Empuxo".

Empuxo é o nome dado à força exercida por um fluido sobre um objeto mergulhado total ou parcialmente nele (neste caso, o nosso corpo). Assim que um objeto qualquer é mergulhado em um fluido, ele começa a deslocá-lo. O empuxo corresponde ao peso do volume de líquido deslocado pelo objeto, sendo assim, podemos definir matematicamente o empuxo da seguinte forma (JUNIOR, 2018):

E = dL. VDES. g

Onde:
  • dL = densidade do líquido
  • VDES = volume de líquido deslocado.
  • g = aceleração da gravidade.
O empuxo surge por causa da diferença de pressão existente entre a parte inferior e superior de um objeto mergulhado em um fluido. A pressão na parte inferior, em virtude da maior profundidade, é maior que a pressão na parte superior, o que resulta no surgimento de uma força vertical para cima (JUNIOR, 2018).



Por si mesmo, o empuxo não tem influência nenhuma no nado. Entretanto, o que tem influência - por exemplo - seria um traje com maior flutuabilidade. Este sim, aumentaria seu empuxo e, consequentemente, diminuiria sua porção imersa, fazendo com que a resistência, com o avanço, diminua.

Assim, para uma mesma capacidade propulsiva, possibilitaria o aumento da velocidade de nado. Afinal, o objetivo de todo o nadador é nadar mais rápido, e se deslocando, sempre que possível, na zona da qual se chama "Linha da água".

Referências

JUNIOR, Joab Silas Da Silva. "O que é empuxo?"; Brasil Escola. Disponível em https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/fisica/o-que-e-empuxo.htm 

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

O que é "Streamline"?!

É muito comum, nas escolas de natação, e até mesmo em piscinas destas da vida - com olhar clínico, claro - observarmos as crianças mergulharem posicionando a palma de uma mão sobre o dorso da outra; com os braços esticados. Sem levarmos em consideração a técnica correta - e apurada -, a posição primária, descrita é o que, em inglês, se chama "Streamline".


Não existe uma tradução em português para esta palavra cujo tenha relação com a natação propriamente dita. Uma tradução breve, "streamline" significa "agilizar"; "simplificar". No jargão da natação, "streamline" é a famosa posição dos braços e mãos formando "uma espécie de "foguete", justamente para, ao mergulhar, poder "furar" a água e ser mais eficiente. O mesmo vale para os impulsos na borda e continuidade das viradas olímpicas.

A posição ideal do corpo na água, para que o deslize seja mais fluente, é semelhante ao de uma lancha em movimento, com o bico da proa mais elevado que o da popa. O corpo do nadador deve ser mantido bem estendido, com a cabeça ligeiramente elevada em relação aos quadris - porém, encaixada entre os braços (estendidos). Esta posição, lembrando o deslocamento de uma lancha, permite ao nadador um deslize mais eficiente, aproveitando melhor a força empregada pela ação de seus braços e pernas na sequência, iniciando o nado. (CAMARGO; NORONHA, 2016).

Não entendeu?! Fui técnico demais na explicação?! Ou, pelo contrário, fui péssimo ao tentar explicar?! Não tem problema. Clique aqui, assista aos vídeos e você - provavelmente - entenderá melhor o que exatamente é "Streamline".

Referências

CAMARGO, Carlos; NORONHA, Rômulo. Nadar é fácil. Palhoça, Sc: Unisul, 2016. 113 p.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Fibras lentas e rápidas


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A fisiologia do exercício é algo fascinante. Portanto, para aqueles(as) que visitam este espaço democrático, vou tentar explicar de forma breve e correta, sem me aprofundar muito, o motivo pelo qual há indivíduos que suportam mais exercícios de longa duração que outros; Da mesma forma que há aqueles que são mais rápidos, e se adaptam melhor à atividades mais intensas e menos duradouras. 

Vamos falar das fibras musculares. São células multinucleadas alongadas que compõem o músculo esquelético. Por sua vez, o mecanismo contrátil é formado por miofilamentos dentro delas compostos pelas proteínas actina e miosina. Estes miofilamentos deslizam uns sobre os outros produzindo tensão ou alteração de comprimento, processo que depende de gasto energético e cálcio.

Há fibras de contração lenta (Tipo I) e rápida (Tipo II), e o indivíduo nasce predisposto a ser constituído de uma maior quantidade de fibras em detrimento da outra - não há como mudar isso. O percentual de fibras lentas ou rápidas é geneticamente predeterminado. Estas, por sua vez, são controladas por nervos que se ligam aos músculos.

Tipo I - Contração lenta, geração de pequena força, grande número de mioglobina, grande vascularização ("vermelho"), grande número de mitocôndrias, metabolismo oxidativo como fonte de energia, resistente à fadiga (contração mantida, tônica).

Tipo II - Contração rápida, geração de grande força, pequeno número de mioglobina, pouca vascularização ("branco"), pequeno número de mitocôndrias, glicólise como fonte de energia, pouco resistente a fadiga (intensa atividade de curta duração).

Portanto, com o treinamento, as respectivas fibras são recrutadas de acordo com o esforço realizado e, evidentemente, serão mais exigidas àquelas predominantes na constituição corporal do indivíduo. Entretanto, não quer dizer que as demais não serão. 

Todavia, nunca pode realmente mudar a capacidade de uma fibra (a menos que submeta-se a transplante de nervo, o que é feito somente em laboratório). É por isso que alguns nadadores são melhores em provas de 50, 100 e 200 metros, enquanto outros se destacam nas provas de 400, 800, 1500 e maratonas aquáticas.

Referências

KOUYOUMDJIAN, João Aris. Unidade motora e receptores musculares. 2015. Disponível em: http://disciplinas.famerp.br/Neurologia/Documents/3%C2%AA%20S%C3%A9rie%202016/Roteiros%20de%20Aulas%20e%20Slides/UNIDADE%20MOTORA%20E%20RECEPTORES%20MUSCULARES.pdf

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Desafio na Aeronáutica


Faz algum tempo que não paro, sento diante do computador, abro o editor de texto e começo a escrever - claro, em silêncio absoluto, pois a dificuldade de concentração é enorme. Pois bem, consegui exatamente hoje, quarta-feira, 25/07/2018. E o texto é breve. Aliás, muito mais ilustrativo.

Recentemente aceitei mais um desafio. As segundas, quartas e sextas-feiras - pela manhã - estou à frente das aulas de natação no belíssimo Parque Aquático da CDA (Comissão de Desportos da Aeronáutica), na Base Aérea do Campo dos Afonsos, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Vale lembrar que a piscina é um dos legados olímpicos deixados pela organização dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

Em parceria da Escola de Natação Nado Livre com a Força Aérea Brasileira, o objetivo é, além de promover saúde e qualidade de vida através do esporte, encontrar novos talentos via projeto social PROFESP (Programa Força no Esporte), atendendo alunos de escolas municipais da região e adjacências; Como também filhos e dependentes de militares. Abaixo segue um pouco do meu trabalho, desde as crianças até os adultos.










segunda-feira, 25 de junho de 2018

Um recado para Neymar Jr.

Caro Neymar Júnior,

Não o conheço pessoalmente. Embora, em um dado ano do qual - de coração, não me recordo - tive a oportunidade de te falar, ao menos, um "olá", ou te dar um "parabéns, garoto, tu é craque e vai longe", em uma festa na qual estávamos comumente presentes. No entanto, hoje, refletindo, acho que, no mínimo, te daria uma tapa bem dada nesse teu rostinho - que se faz de coitadinho pra mídia - para, justamente, o senhor cair na real e virar homem. Já diria - profetizando - o treinador Renê Simões: "Estamos criando um  monstro". Sim, o "Monstro" já está criado - e da pior forma possível (vídeo abaixo).


Você, Neymar, tem se mostrado um moleque. Sim, um moleque mimado. Da mesma forma que apanha dentro de campo, tu se joga tentando cavar falta na mesma proporção. E é mal-educado. O Adenor, vulgo Tite, evidentemente, se vê na "obrigação" de "passar a mão na sua cabecinha, modelada cada vez mais com um tipo de cabelo pior do que o outro". Um adendo: queremos ver seu futebol. Se quiséssemos saber de visual, assistiríamos ao "Super Bonita". É cada gata, malandro?!

Mas retomando o raciocínio. É claro que o Adenor não vai "puxar a tua orelha", "menino Ney", diante das câmeras e nas entrevistas. O cara tem amor ao emprego dele - que rende um enorme "trocado" da CBF. E mais: é muito mais fácil trocar um, do que o senhor Neymar. Entretanto, este que vos escreve e demais brasileiros que estão acompanhando a Seleção Brasileira na jornada rumo ao hexacampeonato mundial, esperamos que o nosso atacante, postulante - um dia - a ser o melhor do mundo. Particularmente acredito que jamais será. Queremos ver uma postura diferente dentro e fora de campo:

1) Dentro de campo, jogar com objetividade, coletivamente e em direção ao gol.
2) Fora de campo, assumir seus atos, encarar a mídia de frente e ser homem pra "dar a cara pra bater".

Neymar, meu caro, sabe aquele rapaz português, o Cristiano, que tem nome de "Fenômeno"?! Pois é, também se preocupava muito com brincos, modelo de cabelo... Mas depois que ele chegou à conclusão que, para ser chegar à excelência, ser o melhor, tem que treinar - muito - e ser objetivo. Leia-se fazer gols. O portuga se transformou e se tornou o melhor jogador de futebol do planeta - DISPARADO! Inclusive, leva um selecionado inteiro nas costas.

O Cristiano apanha como você apanha, Neymar - dentro de campo; Tem problemas extracampo, assim como você, "menino Ney"; Cava umas faltinhas aqui, outra acolá, igual ao senhor: "É toisss!". Mas então por que ele é o melhor do mundo - sendo PORTUGUÊS! Com todo o respeito aos irmão lusitanos - e você, Neymar, brasileiro bom de bola, oriundo de um futebol onde há outros diversos "bons de bola" e que cresceram e te ajudaram a moldar sua maneira de jogar - muito mais que em Portugal -  ainda não foi e dificilmente será?!

Então, oremos para que o senhor Adenor consiga recolocá-lo (o jovem Neymar) de novo em um norte positivo; Fazendo o nosso principal atacante novamente entender que futebol é coletivo e objetivo, e que o objetivo é o gol. Afinal, malabarismo se faz no circo; E cair e levantar é parte integrante da vida.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Atenção jovens atletas: A suplementação realmente é adequada para você?

Embora publicado no portal SwimSwam.com, o texto a seguir é de autoria de Amy Udani, bacharel em Farmácia pela Universidade de Mumbai e mestre em Ciências Regulatórias com ênfase em Ciências Farmacêuticas pela University of Southern California.

Como farmacêutica reguladora trabalhou em grandes empresas farmacêuticas, de biotecnologia e de saúde como Pfizer, Amgen e MeCure, e conhece em primeira mão os produtos químicos perigosos encontrados em muitas linhas de suplementos e a leniência das regulamentações atuais nos EUA.

Hoje, Udani usa sua experiência como farmacêutica reguladora para educar outras pessoas sobre os perigos ocultos dos suplementos, e para que possam obter os resultados que desejam sem os riscos.

*NOTA: Este texto não deve ser interpretado como um conselho médico. Portanto, consulte um especialista se tiver dúvidas sobre suplementação ou nutrição.

Como um atleta jovem, você tem em mente uma coisa: permanecer saudável e condicionado. Afinal, é isso que lhe dará uma vantagem competitiva ao longo da carreira. Ultimamente pode até estar mais treinado, mais focado em sua dieta e até mesmo com o padrão de sono regular. Mas, e quanto à suplementação?

Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 70% da população americana faz uso de suplementos alimentares, o que leva à uma interpretação de que se vive atualmente uma "nova ordem" alimentar - e nutricional. Entretanto, e você? Deve ou deveria tomar suplementos?

Segundo o New York Times, os americanos gastam mais de US$ 30 bilhões por ano em suplementos alimentares. Esta crescente tendência se deve a uma série de fatores, incluindo um aumento no uso entre os jovens e adultos. E, na maioria dos casos, esses suplementos não são necessariamente formulados para atender às necessidades nutricionais desta população. Também é importante notar que nem todos os suplementos são criados iguais.

Não apenas é necessário estar atento aos ingredientes usados, mas também à idade do usuário final. Naturalmente, a qualidade dos ingredientes pode variar (assim como a qualidade desses mesmos ingredientes que foram testados). No entanto, em termos de idade de um indivíduo, existem alguns suplementos que podem ser apropriados em determinadas circunstâncias, enquanto outros são completamente desnecessários.

Note como os suplementos estão sendo comercializados. Por exemplo, suplementos voltados para a saúde das articulações geralmente têm como alvo pessoas mais velhas, ao passo que suplementos que aumentam o desempenho atraem a atenção dos mais jovens.

De acordo com o estudo de Odea (2003), publicado na Health Education Research, depois de entrevistar 78 adolescentes (11-18 anos), foi descoberto que esses indivíduos estavam tomando desde qualquer suplemento vitamínico a creatina. A maioria consumiu estes suplementos devido aos benefícios percebidos para a saúde, inclusive com apoio parental. Contudo, os pesquisadores concluíram que uma dieta nutritiva pode ser mais apropriada.

Você deve tomar suplementos?

Independente do nível que esteja nadando, é evidente que corpo e mente necessitam estar preparados para tal atividade e, para isso, a alimentação é primordial. Nesta questão da queima calórica mediante ao treinamento, suplementação seria a resposta?

Considerando que os atletas jovens geralmente não requerem suplementos para realizar - ou manter - a saúde positiva, os riscos muitas vezes parecem compensar as recompensas. No estudo de 10 anos de Geller et al.(2015), os pesquisadores analisaram dados de 63 hospitais e descobriram que, em média, 23.0000 visitas a prontos-socorros anualmente eram devidas aos efeitos adversos dos suplementos.

No geral, jovens adultos foram os mais afetados. Um quarto de todas essas visitas ao pronto-socorro foi devido a produtos de perda de peso, o que impactou desproporcionalmente as mulheres. Em contraste, os homens eram mais propensos a experimentar efeitos colaterais dos produtos de musculação e aprimoramento sexual. Outros 10% dessas visitas foram devidos a produtos que aumentam a produção de ATP (pré-treinos, por exemplo).

Ao tentar melhorar seu desempenho, não há atalhos quando se trata do básico - fluidos, treinamento, calorias, condicionamento e descanso. Nos Estados Unidos, saibam que os suplementos alimentares não são atualmente regulados pela Administração de Alimentos e Bebidas dos EUA (FDA). E a maioria são provenientes de lá. Aqui no Brasil, o crescimento de suplementos de fabricação nacional é vertiginoso. Portanto, se você for um jovem atleta ou pai de um jovem atleta, atente para o que você - ou seu filho(a) - está ingerindo. Pesquisadores descobriram que muitos suplementos produzem altas taxas de contaminação.

Estudos também descobriram que muitos dos suplementos atualmente comercializados não contêm os ingredientes listados no rótulo. Isso não é apenas uma fraude ao consumidor, mas, em alguns casos, a rotulagem errada pode ser potencialmente perigosa.

Alguns dos ingredientes e suplementos você deve ser cauteloso

> Proteína e creatina - Comumente usadas entre atletas, estudos não descobriram que esses tipos de suplementos oferecem benefícios adicionais em termos de desempenho esportivo. Para aqueles que são vegetarianos, o planejamento de refeições com um nutricionista registrado seria mais benéfico. Alguns efeitos colaterais comuns de excesso de creatina incluem ganho de peso (devido à retenção de água), inquietação, cólicas e problemas gastrointestinais.

> Óleos hidrogenados - Os óleos hidrogenados (que são tipicamente geneticamente modificados) têm sido associados a uma ampla gama de problemas de saúde. O FDA reconhece que os óleos hidrogenados são prejudiciais em relação à gordura trans. Muitos especialistas chegaram a dizer que esses óleos são "tóxicos" para sua saúde a longo prazo. É um ingrediente barato e muitas vezes dilui qualquer um dos ingredientes destinados a proporcionar benefícios para a saúde ou o aumento de desempenho. O óleo de salmão é um exemplo perfeito, pois uma empresa pode incluir uma quantidade minúscula de óleo de peixe e, em seguida, encher cada cápsula com óleo de semente de algodão ou soja.

> Talco ou Silicato de Magnésio - Um ingrediente que é frequentemente usado em cosméticos, o talco é o mineral mais macio disponível. Embora a pesquisa esteja faltando em relação aos suplementos de saúde, tem se mostrado “possivelmente carcinogênico”, segundo o estudo de Cramer et al.(2016) e aumenta o risco de inflamação quando usado externamente. Há também preocupações significativas em torno da inalação de talco - por isso não é exatamente algo que você deseja consumir. O FDA nem sequer considera este ingrediente como sendo de qualidade alimentar, mas ainda é encontrado em alguns suplementos.

> Estimulantes - Consumir muitos estimulantes ou mesmo bebidas energéticas pode ser perigoso. Embora a cafeína tenha demonstrado melhorar alguns aspectos do desempenho em adultos, os efeitos não foram bem estudados em crianças. Clicando aqui verás uma lista de alguns dos estimulantes encontrados em suplementos. Alguns efeitos colaterais incluem agitação, insônia, tontura e dor no peito.

> Suplementos nutricionais em geral - As necessidades de vitaminas e minerais devem ser atendidas através de uma dieta bem balanceada. Embora baixos níveis de ferro possam diminuir o desempenho atlético, uma alta ingestão de ferro (ou qualquer outra vitamina ou mineral) não demonstrou melhorar o desempenho. Além disso, você pode obter muito de uma coisa "boa". Por exemplo, o excesso de vitamina A pode causar dores de cabeça, redução da resistência óssea e até danos ao fígado. Para aumentar os níveis de ferro, você não está limitado à carne vermelha. Nozes, sementes, ovos, feijão, espinafre, aveia e tofu também são ótimas opções.

Conclusão

Contanto que você siga um estilo de vida equilibrado e consuma uma dieta rica em nutrientes, os suplementos não são a solução. Eles não vão transformá-lo em um atleta estrela - apenas o trabalho duro e a saúde positiva podem ajudá-lo a atingir esse objetivo. Se você decidir tomar um suplemento, faça sua lição de casa.

A prevenção de doenças direcionadas, conforme discutido com seu médico, é uma coisa, mas tomar o que são placebos potencialmente perigosos em uma idade tão jovem é outra. Desenvolva um plano de treinamento e dieta que atenda às suas necessidades específicas. É isso que vai ajudá-lo a superar a concorrência. Afinal de contas, Jack Lalanne, o padrinho do fitness, disse: “O exercício é rei. Nutrição é rainha. Coloque-os juntos e você tem um reino.” 

Referências

BRODY, Jane E.. Studies Show Little Benefit in Supplements. The New York Times. New York, p. 5-5. 14 fev. 2016.

CRAMER, Daniel W. et al. The Association Between Talc Use and Ovarian Cancer. Epidemiology, [s.l.], v. 27, n. 3, p.334-346, maio 2016. Ovid Technologies (Wolters Kluwer Health). http://dx.doi.org/10.1097/ede.0000000000000434.

GELLER, Andrew I. et al. Emergency Department Visits for Adverse Events Related to Dietary Supplements. New England Journal Of Medicine, [s.l.], v. 373, n. 16, p.1531-1540, 15 out. 2015. New England Journal of Medicine (NEJM/MMS). http://dx.doi.org/10.1056/nejmsa1504267.

O'DEA, J. A.. Consumption of nutritional supplements among adolescents: usage and perceived benefits. Health Education Research, [s.l.], v. 18, n. 1, p.98-107, 1 fev. 2003. Oxford University Press (OUP). http://dx.doi.org/10.1093/her/18.1.98.