quinta-feira, 15 de março de 2018

O desafio de traçar - e executar - estratégias pedagógicas para o ensino e aperfeiçoamento da natação

Há pouco mais de um mês assumi o cargo de professor de natação em um dos mais tradicionais colégios do Rio de Janeiro, na Zona Oeste da Cidade Maravilhosa (cujo o adjetivo, há tampos, anda duvidoso). Antes de ser o escolhido para a vaga, os contratantes deixaram bem claro seus objetivos: que eu desenvolvesse um trabalho com as crianças, as quais ficam no horário integral, no sentido de aprimorar a técnica de cada uma delas para, posteriormente, tentar inseri-las em eventos esportivos cujo a natação esteja presente. Um enorme desafio.

São crianças de diferentes idades, estereótipos e, principalmente, níveis de natação. Estão em uma fase a qual prender a atenção delas é tarefa hercúlea; Bem como fazê-las nadar conforme oriento e, evidentemente, sempre no intuito de tentar acertar. Não são fáceis. E para que as aulas corram da melhor maneira, tenho tentado adotar diferentes estratégias pedagógicas - e confesso que, até o momento, meu aproveitamento está sendo de 50%.

Segundo Ferreira (2006, p. 267), estratégia é a arte de aplicar os meios disponíveis ou explorar condições favoráveis com vista a objetivos específicos. E, para tal, reúne os elementos utilizados nas decisões tomadas com relação à organização do ambiente, à aplicação dos métodos de ensino e à organização das tarefas. Mais especificamente, estratégia diz respeito a como ensinar uma habilidade motora (Freudnheim, Gama e Carracedo, 2003).

Neste caso, a habilidade motora, que de acordo com Magill (1984), se define por ação ou tarefa que requer a coordenação do movimento do corpo e/ou dos membros para atingir uma meta, ou seja, nadar cada vez melhor. Contudo, somente nadar não é o bastante. Ao professor de natação, durante o processo de ensino-aprendizagem, cabe estimular a prática eficientemente planejada para se chegar à perfeição, ressalta Schmidt e Wrisberg (2001).

É o que estou tentando fazer durante uma hora, as terças e quintas-feiras, semanalmente. Em cada aula tento uma metodologia de ensino diferente que, conforme definem Gallahue e Donnelly (2008), são conjuntos de decisões tomadas pelo professor para alcançar os objetivos de uma aula. Por ora, estes objetivos estão diretamente ligados ao aprimoramento do nado de crawl e algumas de suas particularidades como: flutuação, respiração lateral e alternância de braçadas; Posição dos braços e das mãos durante todo o movimento de braçada, pernada e coordenação de ambos. Aos poucos, evoluímos.

Referências

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Mini Dicionário Aurélio. 4ª Edição. São Paulo-SP: Nova Fronteira, 2006.

FREUDENHEIM, A. M.; GAMA, R. I. B. ; CARRACEDO, V. A. . Fundamentos para a elaboração de programas de ensino do nadar para crianças. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 2, n.2, p. 61-69, 2003.

GALLAHUE, D. e DONNELLY, F.C. Educação física desenvolvimentista para todas as crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte, 2008. 

MAGILL, R. A. Aprendizagem motora: conceitos e aplicações. São Paulo: Edgard Blücher, 2000.

SCHMIDT, R; WRISBERG, C. A Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da aprendizagem baseada no problema. Porto Alegre. Artamed, 2001.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Disfunção das cordas vocais em nadadores

A Disfunção das Cordas Vocais (DCV) é uma condição pela qual os indivíduos  têm dificuldade em respirar devido a um problema na garganta ou laringe. Quando um indivíduo acometido tenta respirar, as duas bandas cartilaginosas presentes na laringe, denominadas cordas vocais, se fecham e impedem o ar de entrar na traqueia. É mais prevalente em mulheres do que em homens, independente da idade; Em crianças, é mais frequente em atletas de competição (GUARDEM ESTA FRASE!).

As cordas vocais na imagem devem estar abertas para respirar. No entanto, em indivíduos com DCV, elas se paralisam intermitentemente e bloqueiam o fluxo de ar para os pulmões. Esse bloqueio pode ocorrer durante a inalação ou expiração, mas geralmente ocorre durante a inalação. Geralmente, esses espasmos aparecem de repente e se resolvem rapidamente - geralmente em menos de dois minutos.

Um reflexo da laringe hiperativo pode ser o culpado. Este reflexo é usado para proteger a via aérea, fechando as cordas vocais para bloquear a passagem para a via aérea do outro lado. Mas por que esse reflexo ocorre quando não deveria? Não se sabe ao certo. A única coisa que é clara, no entanto, é que existem muitos fatores que podem contribuir para a DCV e que variam de pessoa para pessoa. Exemplos: agentes irritantes no ar, odores fortes, ambiente de piscina, alto nível de poeira, refluxo ácido, infecções respiratórias, esforço físico, estressores emocionais (condições psicológicas, incluindo ansiedade e depressão).

A história

Doutora em Fisioterapeuta na Universidade de Santa Clara (Califórnia/EUA), a Drª Erin Cameron dedicou 15 anos de sua vida à natação (entre treinamentos e competições) e também sofreu de DCV. Nos tempos de atleta, observou muitos de seu colegas desistirem do esporte por conta de problemas respiratórios. Todavia, segundo a mesma, compartilhar sua história e conhecimento é importante para que os nadadores que têm DCV entendam - e saibam - que não estão sozinhos; E que há estratégias para continuar a treinar, competir e aproveitar tudo o que o esporte oferece.

Fora a experiência pessoal, a perspectiva médica de como reconhecer sinais de DCV e dar-lhe o vocabulário adequado para descrever seus sintomas também é providencial. Estas informações podem ajudar aos nadadores a identificar DCV não diagnosticado e, consequentemente, procurar ajuda médica apropriada o quanto antes.

"Sempre foi meu objetivo nadar para a Universidade de Michigan. Quando pisei no Canham Natatorium, em novembro, senti como se estivesse vivendo um sonho. Eu tinha treinadores incríveis e colegas de equipe que nadavam tão rápido quanto jamais tinha visto.

Antes do meu segundo ano de faculdade, nunca experimentei dificuldades respiratórias. Meus sintomas surgiram de repente, sem aviso prévio. Minha garganta se apertaria, senti que não conseguia encher meus pulmões de ar e, toda vez que tentava respirar, produzia um som agudo e aterrador. Num primeiro momento só ocorreu uma vez - talvez duas vezes por semana -, durante as séries mais fortes. No entanto, com o passar do tempo, se tornou mais frequente, ocorrendo durante quase todas as sessões de treinos.

No ano seguinte já estava com inúmeras consultas médicas tentando deduzir o que estava causando meus sintomas. Vários tratamentos, incluindo um inalador de Albuterol (Salbutamol) e uma dose elevada de Corticosteroide, Advair (Propinato de Fluticasona e Salmeterol), foram usados ​​para ajudar a diminuir o que parecia ser Asma induzida por exercício; Mas nada ajudou.

Meus treinos e competições sofreram. Minha saúde mental sofreu. Embora tentando ser otimista, não pude deixar de pensar por que isso está acontecendo? Por que nada ajudou? Por quê, seja o que for,  está tentando sugar a alegria do esporte que tanto amo?

Não só meus sintomas eram assustadores para mim, mas minha condição logo se tornou uma área de preocupação para meus treinadores e colegas de equipe. Ninguém estava seguro de como avançar. Em uma ocasião,  foi mencionada a possibilidade de me tornar assistente voluntária do time para a temporada seguinte: Eu estava esmagada; Arrasada.

Eu estava em meu primeiro ano de Junior, com aspirações de me tornar capitã da equipe no ano seguinte e viver a emoção de competir no meu último ano, no esporte que eu amo tanto. De repente, havia algo a mais. Procurei orientação adicional do meu treinador. Ele me encaminhou para um pneumologista que teve experiência em trabalhar com os nadadores de elite.

Com a ajuda de minha mãe e uma enfermeira, finalmente determinamos a palavra adequada para descrever aquele som agudo que estava fazendo quando tentava respirar: stridor (estridor). Esta era a informação que o pneumologista precisava para mudar de direção, para não acreditar que o diagnóstico era apenas a Asma induzida pelo exercício. Quando realizei um teste de esforço na esteira, com um escopo colocado na minha passagem nasal, pude ver através do monitor de vídeo a resposta para o porquê de não conseguir respirar. Minhas cordas vocais estavam fechadas quando tentava respirar; Aquelas pequenas abas teimosas estavam fazendo exatamente o oposto do que deveriam estar fazendo.

Fiquei emocionada por ter um diagnóstico, mas frustrada por saber que não havia cura. Havia, no entanto, estratégias que poderia usar para diminuir o impacto desses sintomas na minha performance. Estas eu recolhi através de um patologista da linguagem do discurso e um conselheiro atlético da minha universidade. Essas pessoas, bem como minha própria teimosia para continuar treinando e competindo, me permitiram completar minha carreira colegial. Meu último ano de natação nesta época foi, de longe, o mais desafiador, mas ainda sim cumpri minha carreira.

"Amaldiçoei" minhas cordas vocais muitas vezes ao longo da minha carreira como atleta: especialmente durante os últimos 100m dos 400m Medley. Na verdade, às vezes ainda faço até hoje. Mas encontrei maneiras de diminuir meus sintomas e continuar a nadar, além de realizar, regularmente - e até hoje - outros esportes de resistência.

Desde o momento em que fui diagnosticada, pesquisei amplamente a condição de esforço para entender melhor as causas e tratamentos para DCV. Minha esperança é que, ao compartilhar essas informações, os indivíduos acometidos por DCV tenham melhor compreensão de como descrever seus sintomas e quando procurar ajuda médica".

Referência

CAMERON, Erin. WHY CAN’T I BREATHE? VOCAL CORD DYSFUNCTION IN SWIMMERS. 2018. Disponível em: https://swimswam.com/why-cant-i-breathe-vocal-cord-dysfunction-in-swimmers/

MYMEDFARMA. Disfunção das cordas vocais. 2018. Disponível em: https://www.mymedfarma.com/pt/guia-da-saude/12-otorrinolaringologia-estomatologia/2718-disfuncao-das-cordas-vocais

segunda-feira, 5 de março de 2018

O desastre de "The General Slocum" e o direito das mulheres de aprender a nadar

Mulheres aprendiam a nadar somente penduradas
(FOTO: International Swimming Hall of Fame)

O Carnaval se foi e, com ele, o mês de fevereiro. "Extraoficialmente", o ano começa em março, considerado o Mês Internacional da Mulher. Afinal, dia 08/03 é o Dia Internacional delas. Embora, modéstia à parte, o dia delas são todos os dias; Assim como o Dia das Mães. E pegando carona neste gancho, segue uma história - infelizmente trágica, porém breve - que marcou, de certa forma, a libertação e a independência da mulher, em uma época cujo sua figura era extremamente reprimida, e seu direito de aprender a nadar.

Em 1904, na cidade de Nova Iorque (Estados Unidos), o barco a vapor "The General Slocum" (batizado com este nome em homenagem ao general Henry Warner Slocum), que transportava mais de 1.400 passageiros - em excursão -, pegou fogo e naufragou no Rio East. Até os atentados de 11 de setembro de 2001, esta foi a maior tragédia de Nova Iorque. Mais de mil passageiros - principalmente mulheres e crianças - que tentaram escapar do fogo a bordo, saltaram na água e se afogaram.

A catástrofe foi o evento mais impactante na história da natação americana. Imediatamente, políticos e administradores escolares reconheceram a natação como uma arte essencial para a autopreservação e defenderam o ensino/pratica da modalidade em toda instituição de ensino. Entretanto, naquela época, apesar dos conhecidos benefícios de aprender a nadar e da prática de atividade física, o exercício extenuante era visto como prejudicial para a saúde - principalmente das mulheres; Além da questão da preservação da figura feminina e do "machismo".

Anette Kellerman
À medida que os Estados Unidos procuravam resolver esses problemas, as escolas começaram a ensinar as meninas a nadar sem ter que utilizar roupas de banho (maiô), tampouco entrar na água. Contudo, a partir de 1907, com a chegada aos EUA da australiana Annette Kellerman (atriz, escritora e nadadora), mudanças ocorreriam.

Praticante, defensora e incentivadora da Natação, Kellerman Não se conformava com os trajes de banho que as mulheres eram obrigadas a vestir e organizou um protesto, em Revere Beach, perto de Boston. Annette foi presa por "nudez pública" ao usar um traje de banho masculino. No tribunal, se defendeu afirmando:

- As mulheres não têm o direito de se salvar do afogamento quando os homens não estão por perto para protegê-las? Então, como podemos aprender a nadar usando roupas, fora da água e penduradas (foto)? - questionou?

A partir deste momento, Annette Kellerman se tornou um símbolo de esperança e mudança para mulheres, e ajudou a abrir caminho para o direito das mulheres de nadar.

Referência

WIGO, Bruce. Tragedy to Triumph: The Story of the General Slocum Disaster and the Right to Swim for Women. 2018. Disponível em: https://www.swimmingworldmagazine.com/news/sw-and-womens-history-month-presents-the-general-slocum-disaster-the-right-to-swim-for-women/

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Influência da música no desempenho esportivo

A música é dotada de diversos estilos, e funciona de diversas formas para as pessoas: desde para um simples ato de movimentar o corpo; Dançar; Se divertir ao completo relaxamento. Para os atletas, de uma forma geral, ela (a música) tem uma contribuição positiva em seus respectivos desempenhos. Vamos nos ater aos nadadores e como a música age sobre eles.

É muito comum, em eventos de natação, observarmos atletas com fones cada vez mais coloridos - e potentes - em seus ouvidos e cada um com uma expressão corporal distinta: enquanto uns permanecem mais comedidos, de olhos fechados (talvez mentalizando seu iminente desempenho), outros estão se mexendo constantemente (quem sabe no compasso da canção). Mas então, como a música pode ajudar no desempenho?

Em primeiro lugar, pensemos em como nos sentimos quando escutamos música: os sons e as palavras evocam memórias e sentimentos agradáveis, mas também nos ajudam a relaxar ou a nos energizar. Tudo isso pode ser extremamente útil quando se trata de desempenho esportivo. Inclusive, pesquisas direcionadas deram luz sobre as habilidades mentais e as construções psicológicas que a música melhora.

1. A capacidade de se concentrar: A música, realmente, pode nos ajudar a se concentrar para que possamos direcionar nosso foco em pensamentos positivos - e ou estímulos importantes - relacionados ao que estamos prestes a assumir. Mas isso não é tudo. A música também pode ser revigorante e nos fazer sentir eufóricos, o que, até certo ponto, pode ter um impacto positivo no desempenho.

2. Controlar nosso nível de estimulação: Seguir o ritmo da música que estamos ouvindo, nos ajuda a regular nosso nível de estimulação conforme necessário. Tome, por exemplo, um atleta e a noite que antecede uma importante competição. Do ponto de vista fisiológico, ouvir música relaxante irá ajudá-lo a relaxar e acalmá-lo para que possa descansar adequadamente. Em contraste, no dia seguinte, se este mesmo atleta não se sente particularmente energizados, uma música com uma batida rápida irá ajudá-lo a se sentir mais bombeado e pronto para competir. Vale lembrar que, quando usamos a expressão "ajuda", estamos nos referindo ao fato de que não existe uma relação causal direta entre ouvir música e obter os resultados que se espera; No entanto, pode facilitar estas questões. Ser estimulado é um fenômeno muito complexo para ser controlado por apenas um único fator.

3. Sincronização: você certamente nota que o exercício ao ritmo da música ajuda os movimentos do braço e faz sentir menos cansado. Claro, isso se aplica a todas as habilidades motoras que exigem esforço constante e repetitivo.

4. Aprender habilidades motoras: a música oferece a oportunidade de explorar diferentes movimentos em vários planos e a melhorar a coordenação. Também faz do esporte uma modalidade mais agradável e, portanto, encoraja os nadadores e atletas em geral a treinar mais.

5. A música pode ajudar a entrar em um "estado de agitação": Então, criar a lista de reprodução certa, para várias situações diferentes, pode ser uma das muitas estratégias para ajudar a melhorar a preparação mental para eventos esportivos, ou aquela árdua sessão de treinamento.

Referência

Karageorghis, C. I., Jones, L., & Stuart, D. P. (2008). Psychological effects of music tempi. International Journal of Sports Medicine, 29, 613-619.

Karageorghis, C. I., & Terry, P. C. (1997). The psychophysical effects of music in sport and exercise: A review. Journal of Sport Behavior, 20, 54–68.

MUGNAI, Arturo. Is there any point in listening to music before you dive into the pool? 2018. Disponível em: https://www.arenawaterinstinct.com/en_uk/community/training-technique/point-listening-music-dive-pool/

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Tentar ou não uma técnica diferente?

A inovação faz parte de todos os esportes. Na natação, não vem necessariamente de um novo design de implementos, como, por exemplo, óculos, prancha e ou/pullbuoys; Mas muitas vezes um avanço na técnica de nado de cada estilo. Muitos atletas aprenderam técnicas que são diferentes das utilizadas atualmente; Do que se observa hoje em dia. É emocionante evoluir constantemente com o esporte. No entanto, antes de adotar uma técnica nova, é importante se perguntar se é o melhor para você. Assim, algumas precauções devem ser tomadas:

. Conheça as Regras - Não é porque alguém está utilizando uma técnica nova; Diferente do que vem sedo praticado, que esta seja legal. Certifique-se de que qualquer inovação que realize esteja dentro da regra.

. Comece devagar e seja paciente - Até conseguir o ajuste preciso de uma nova técnica que queira utilizar, demandará tempo e, claro - muito treino. Portanto, tenha paciência, realize o movimento desejado - devagar - e repita-o quantas vezes for necessário. Lembre-se: a pressa é inimiga da perfeição. Mantenha o objetivo em mente; A busca pela melhoria é um processo. A mudança pode ser boa, mas a transição é difícil.

. O resultado é relativo - Por vezes, isso é tão fácil como comparar tempos, mas outras vezes você pode estar procurando maneiras de se sentir mais confortável ao nadar. Portanto, chegar à uma conclusão sobre o resultado da utilização de uma nova técnica nem sempre é através do cronômetro; Mas sim o quão melhor está se sentindo ao nadar.

O certo é que você pode tentar inovar como e quando quiser; Tentar utilizar uma técnica que este ou aquele(a) atleta vem utilizando - e dando resultado. Este ou aquele nadador(a) está tendo sucesso, mas você não. Não se preocupe. Se tentar algo e não está funcionando, não há nada de errado em permanecer com o seu "feijão com arroz": 1) Você sabe fazer; 2) Você sabe que funciona.

Referência

BAY, Scott. Should You Try a Different Stroke?: With technique and skills evolving in swimming, should you try something new?. 2018. Disponível em: https://www.usms.org/articles/articledisplay.php?aid=3420

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Quer melhorar a saída... salte, salte exaustivamente

Caeleb Dressel detém uma saída praticamente perfeita
Na natação competitiva, uma boa saída pode resultar no lugar mais alto do pódio, principalmente em provas rápidas, como as de 50 metros (em piscina longa, então, é primordial; Na curta, uma boa virada - talvez - possa compensar uma saída ruim). Tecnicamente, no alto rendimento, os atletas que chegam a uma final, por exemplo, são praticamente iguais. Portanto, o que define a prova são mínimos detalhes.

Pensando nisso é que os grandes times já reservam uma boa parte de suas sessões diárias de treinamentos para o aprimoramento das saídas; Já entenderam o valor que se tem o refinamento deste fundamento. Ter uma saída rápida é muito mais do que ser capaz de reagir ao som de partida.

O americano Caeleb Dressel, campeão olímpico e considerado - atualmente - o atleta com a melhor saída do mundo, mostrou no Mundial de 2017, que ter somente o tempo de reação mais rápido não é necessário para dominar uma prova; São também a altura, a  distância, a velocidade e o ângulo de entrada que afetam a velocidade que você imprime ao entrar na água e durante a prova.

O treinamento de salto vertical: saltos de agachamento, saltos de caixa, e assim por diante - são pilares nos programas de treino para a maioria dos nadadores. E com uma boa razão: o aprimoramento do salto vertical leva a uma maior capacidade de melhorar o desempenho inicial na prova (o que está evidenciado nos dois respectivos estudos abaixo):



Entretanto, o treinamento de salto vertical ignora um aspecto importante, que é fundamental para melhorar a saída: também é preciso alcançar a velocidade horizontal.

Em um estudo realizado em 2016, relatado no respectivo artigo: "Os efeitos de um programa de treinamento de salto prolongado pliométrico em torque em torno das articulações dos membros inferiores e parâmetros cinéticos e cinemáticos durante o início do salto na saída de natação", pesquisadores tomaram um grupo de 10 nadadores e fizeram com que eles passassem por um programa de nove semanas, concentrado apenas em saltos longos (horizontais). Durante os dois meses que se seguiram, o grupo não realizou nenhuma atividade suplementar.

O treinamento foi direto: durante as primeiras duas semanas, os nadadores fizeram 8 x 2 saltos longos horizontais, duas vezes por semana. Para o restante do programa, eles fizeram 15 × 2, com um período de repouso de dois minutos entre cada série. Os saltos foram realizados em uma plataforma construída no mesmo ângulo de um bloco de partida oficial.

OS RESULTADOS

Houve um aumento de 7% na capacidade do atleta em produzir força horizontal (o que significa que, ao imprimir o salto, o nadador vai mais longe) e um  aumento de 16% na velocidade horizontal (o que significa menos tempo no ar, e entrada na água mais rápido).

Estes valores encontrados podem ser considerados extremamente positivos, especialmente pelo fato de os atletas terem sido submetidos a uma quantidade relativamente pequena de tempo de treinamento para estes ganhos.

Devido à especificidade do movimento - o salto horizontal reúne mais características de uma saída na natação que um salto vertical direto. Portanto, os pesquisadores consideram que esse tipo de treinamento é muito mais eficaz do que o treinamento de salto vertical tradicional.

Referências

García-Ramos A, Tomazin K, Feriche B, et al. The Relationship Between the Lower-Body Muscular Profile and Swimming Start Performance. Journal of Human Kinetics. 2016;50:157-165. doi:10.1515/hukin-2015-0152.

Poirer-Leroy, Olivier. This Dryland Exercise will get you further and faster off the blocks. 1. Disponível em: https://swimswam.com/dryland-exercise-swim-start/

Rebutini, V., Pereira, G., Bohrer, R., Ugrinowitsch, C. and Rodacki, A. (2016). Plyometric Long Jump Training With Progressive Loading Improves Kinetic and Kinematic Swimming Start Parameters. Journal of Strength and Conditioning Research, 30(9), pp.2392-2398.

Vantorre J, Chollet D, Seifert L. Biomechanical Analysis of the Swim-Start: A Review. Journal of Sports Science & Medicine. 2014;13(2):223-231.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

15 verdades sobre a Natação

Longe deste que vos escreve querer comparar modalidades. Creio que o primordial, importante e salutar é que todos pudessem - ou melhor, possam - praticar esporte; Movimentar o corpo e manter a saúde em dia. No entanto, a modalidade da qual sou oriundo tem peculiaridades interessantes, as quais Chandler Brandes, atleta da Universidade de Vermont (Burlington, EUA), lista a seguir.

A natação é um esporte como nenhum outro. Você aprende muito sobre o "seu eu" ao longo dos anos como nadador, e o esporte infunda inerentemente lições de vida valiosas. Mesmo quando seu tempo de atleta competitivo já tenha passado, tu continuas a aprender mais sobre o esporte e tens tempo para refletir a respeito.


1. A natação não é como qualquer outro esporte. E não espere que seja

A natação é única por muitas razões, e é verdadeiramente diferente de qualquer outro esporte. Em uma prova de 400m medley, por exemplo, não se pode "pedir tempo" pra dar aquela respirada e continuar. Os nadadores não, e provavelmente nunca irão ter o mesmo reconhecimento de outras equipes, apesar de suas conquistas dentro e fora da piscina. Enquanto seus amigos, por exemplo, atletas de outras modalidades, podem viajar aos finais de semana, ou aproveitar os dias de folga em um feriado prolongado, você está indo treinar (e dobrar). É só a natação.

2. O relógio nunca mente

Não é clichê  a frase "o relógio nunca mente". Pelo contrário. É a mais pura verdade, e esta é a beleza natural da coisa. A natureza precisa do nosso esporte nos permite visivelmente ver o resultado do nosso trabalho (treinamento). Não há juiz marcando pontos por tecnicismo ou estilo: Nade, dê o seu melhor e olhe o placar. Pronto. Simples assim. O resultado é o que está lá, em forma de números. Se faltou 01 centésimo de segundo, faltou um centésimo de segundo. Ponto final. É um esporte duro, difícil, árduo, todavia honesto.

3. É normal falhar

Os nadadores muitas vezes se encontram na mentalidade de que a falha não é uma opção. Mas aqui está o problema: está tudo bem. Falhou. Cometeu erros. Experimente uma nova estratégia de prova. Experimente outros programas de treino. Nunca não saberá, a menos que tente; Nunca aprenderá, crescerá ou ficará mais rápido se nunca sair da zona de conforto.

4. Não é sempre justo

Algumas pessoas têm talento natural. Outras não. Uns precisam treinar arduamente; Outros nem tanto. E o mais injusto: o resultado pode vir para os que nem treinaram tanto, e não vir para quem treinou absurdamente durante toda a temporada. É assim: Há quem não precisa de muito treino; Há quem precisa demais. Você não pode controlar o que os outros fazem.

5. Você não precisa ser o melhor amigo de todos os seus colegas de equipe

Você pode escolher treinar e representar a equipe/clube/faculdade/escola que for; Os colegas que por ventura encontrar serão como uma família - mas tu não consegue escolhê-los. Apesar de passar uma boa parte do seu tempo com eles, estes podem não ser seus melhores amigos. Entretanto, apoiar um ao outro é natural; É do esporte; É uma das essências do atleta. Além isso, estão competindo pela mesma equipe e têm o mesmo objetivo: superar seus limites.

6. Você nem sempre vai melhorar seus tempos como quando era mais novo

Quando somos mais novos, os tempos vão melhorando a cada competição. Proporcionalmente se compararmos com nossas provas a medida em que se envelhece. No entanto, chega um ponto na sua carreira que os tempos não melhoram mais tanto quanto você gostaria - e não importa o quão duro você treinar. Os platôs (estagnação) acontecem. Se abaixou um décimo aqui, ou um milésimo ali, simplesmente comemore.

7. Ninguém se preocupa com suas desculpas

Absolutamente ninguém se importa com suas desculpas. Você pode se desculpar por tudo o que quiser - vá em frente - porém será o que o impede de alcançar seus objetivos.

8. O traje não faz você nadar mais rápido

É a mentalidade que você tem, enquanto você está vestido com o traje de competição, que faz você nadar mais rápido. Por acaso você treina - ou treinou - horas, diariamente, com o traje de competição? Não. Foi o traje, de cerca de U$$ 300,00 (ou, atualmente, os mais modernos, os quais custam mais de R$1.000,00) que acordou cedo, ainda na madrugada, para dobrar? Ou que "sobreviveu" aos treinos no inverno? Não, não e não. Absolutamente não. Ninguém compete por você. É você contra o relógio. Portanto, de traje, sinta-e mais confiante, creia em todo o treinamento realizado, sinta-se imparável e faça o seu melhor.

9. Saúde mental importa

Se estamos doloridos, fazemos gelo. Se algo não está saindo como planejado durante a sessão de treino, conversamos com nosso treinador e procuramos acertar; Se estamos "travados", alongamos. Com a saúde mental não deve ser diferente. Se algo está incomodando, fale sobre isso. Pedir ajuda não é um sinal de fraqueza; Seus treinadores, companheiros de time, equipe de apoio atlético, familiares e amigos querem teu sucesso. A natação é um esporte extremamente mental e, para a melhor performance, você deve estar com a mente plena.

10. Aquecer também importa

Nunca subestime o poder de um bom aquecimento. Se você não tem uma piscina disponível, faça alguns exercícios para acelerar o coração, além dos tradicionais alongamentos. Prepare sempre o seu corpo e sua mente para a prova.

11. É impossível não se comparar com os outros

Não finja que nunca se comparou com ninguém. É inevitável no esporte, e na natação não é exceção. Embora seja impossível não se comparar com os outros, aprenda a gerenciar. Fique na sua zona, faça a sua prova. Se você começar a ouvir aquela pequena voz negativa na sua cabeça, vá para um lugar isolado, redirecione sua mente para se concentrar em você - em ninguém além de você.

12. É normal vez em outra não morrer de amores pela natação

A natação nem sempre é arco-íris e borboletas - raramente é. É difícil. Leva a um desgaste emocional, físico e mental. Às vezes, você se sente preso, simplesmente realizando os movimentos mesmo questionando o que realmente desejo do esporte. Isso é bom. É normal. Não és o único a se sentir assim, e não será o último. Mesmo nos dias difíceis, lembre-se porque você começou. Em algum lugar, não importa o quão profundo seja, esse amor por nadar ainda existe.

13. Você nunca está sozinho

É bom admitir quando você precisa de ajuda e procurar recursos. Comunique-se com seus treinadores sobre como você está se sentindo e informe seus companheiros de equipe sobre o que está acontecendo. Provavelmente alguns deles estão se sentindo do mesmo jeito. Mesmo obtendo bons ou maus resultados, há o apoio. Mesmo quando as coisas se tornam difíceis, sua família da natação não está de lado. Não é fácil, mas você nunca passa por uma má fase sozinho.

14. Você é uma pessoa fora da piscina

A natação é o que você faz, e não quem você é. A natação é uma grande parte da sua vida, mas não define você como um ser humano. É tão fácil ficar preso obcecado com as coisas triviais dentro do esporte, mas isso não importa. Seus tempos e realizações dentro da piscina nunca contarão toda a sua história; Seu caráter diz muito mais sobre você como pessoa e atleta.

15. Não desista de você

Nadar é como aquele pequeno mosquito irritante, em uma noite de verão, com aquele calor infernal, que fica no seu ouvido te perturbando e nunca vai embora - não importa quantas vezes tente abatê-lo. Pode chegar um momento em que desista de nadar, mas nunca vá desistir de você. Estará lá, dias, meses ou mesmo anos depois de parar. A piscina sempre estará esperando por você, de "braços abertos", te chamando de "volta para casa". Afinal, nunca podes deixar algo que você ama.

Referência

BRANDES, Chandler. 15 Truths About Swimming. Disponível em: https://www.swimmingworldmagazine.com/news/15-truths-about-swimming/. Acesso em: 26 jan. 2018.